Água quente e pressão arterial: como aproveitar as piscinas termais com segurança

Relaxar em uma piscina de água quente é uma das experiências mais gostosas de uma viagem a Caldas Novas, em Goiás. Mas você sabia que a temperatura da água pode alterar a pressão arterial e provocar tonturas e até desmaios?

O calor modifica a circulação do sangue e exige adaptações do nosso organismo. Na maioria das pessoas saudáveis, essas mudanças são bem toleradas. Porém, para quem tem pressão alta, doenças cardíacas ou maior dificuldade para regular a pressão, alguns cuidados são importantes.

Neste artigo, vamos explicar o que acontece com o corpo quando entramos em uma piscina quente, por que podemos sentir tontura ao sair da água e como aproveitar esse momento de lazer com mais segurança.

1. O que acontece com a pressão arterial na água quente?

Para entender essa relação, precisamos lembrar que o coração funciona como uma bomba, responsável por fazer o sangue circular pelo corpo.

Quando entramos em uma piscina quente, o calor faz com que os vasos sanguíneos próximos à pele se dilatem. É como se os caminhos por onde o sangue circula ficassem mais largos.

Essa mudança facilita a passagem do sangue e ajuda o corpo a liberar calor. Como consequência, a pressão arterial pode diminuir.

Ao mesmo tempo, o coração pode acelerar para manter a circulação funcionando adequadamente.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026, que reuniu estudos sobre imersão em água quente em adultos saudáveis, identificou alterações na frequência cardíaca e reduções de alguns indicadores da pressão arterial após a exposição.

Isso mostra que a água quente realmente provoca mudanças no funcionamento do sistema cardiovascular. Entretanto, a intensidade dessas mudanças varia de uma pessoa para outra, conforme a temperatura da água, o tempo de permanência e as condições de saúde.

O mais importante é entender que a água quente pode baixar a pressão, mas isso não acontece da mesma maneira em todas as pessoas.

2. Por que algumas pessoas ficam tontas ao sair da piscina?

Imagine que você passou algum tempo relaxando em uma piscina quente. Ao decidir sair, levanta rapidamente, sente a cabeça leve, a visão escurece e parece que vai desmaiar.

O que aconteceu?

Enquanto estamos dentro da água, o calor favorece o alargamento dos vasos sanguíneos. Quando saímos e ficamos em pé, a gravidade faz com que parte do sangue se acumule temporariamente nas pernas.

Normalmente, o organismo consegue compensar essa mudança rapidamente, mantendo o sangue chegando ao cérebro.

Mas, em algumas situações, essa compensação não é suficiente. A pressão pode cair por alguns instantes e provocar tontura, fraqueza, visão escurecida ou desmaio.

Esse tipo de queda da pressão ao mudar de posição é chamado de hipotensão ortostática.

O calor, a desidratação e determinados medicamentos podem aumentar a dificuldade do organismo para manter a pressão estável.

Por isso, sair da piscina devagar não é apenas uma recomendação de segurança: é uma maneira de dar tempo para o corpo se adaptar à mudança de posição.

3. Quem precisa ter mais cuidado?

A água quente não é necessariamente proibida para quem tem alguma doença. O cuidado depende das condições de saúde de cada pessoa.

Alguns grupos, porém, precisam de atenção especial:

  • Pessoas idosas, principalmente aquelas que apresentam tonturas ou quedas.
  • Pessoas com doenças cardíacas ou determinadas alterações do ritmo do coração.
  • Pessoas com pressão arterial muito alta ou ainda não controlada.
  • Pessoas que já tiveram desmaios ou quedas de pressão.
  • Pessoas com doenças renais ou que precisam seguir orientações específicas sobre a ingestão de líquidos.
  • Pessoas que utilizam medicamentos capazes de favorecer a queda da pressão ou a desidratação.

Se você se enquadra em algum desses grupos, converse com o profissional que acompanha sua saúde antes de se expor a temperaturas muito elevadas.

Isso é especialmente importante se você já sente tontura ao levantar, utiliza vários medicamentos ou tem dificuldade para controlar a pressão.

4. Calor, medicamentos e pressão: uma combinação que merece atenção

Muitas pessoas utilizam medicamentos diariamente e não imaginam que alguns deles podem modificar a resposta do organismo ao calor.

Determinados remédios para pressão alta podem favorecer uma queda maior da pressão em algumas situações. Outros medicamentos, como alguns diuréticos, podem aumentar a perda de líquidos.

Isso não significa que você deva interromper o tratamento antes de viajar.

Pelo contrário: não suspenda, não reduza e não altere o horário dos medicamentos por conta própria para entrar em uma piscina quente.

Se você tem dúvidas sobre o uso dos seus medicamentos durante uma viagem, converse com seu médico antes de viajar.

5. Por que precisamos nos preocupar com a desidratação?

Em um parque aquático, é comum passar horas alternando entre piscinas, caminhadas e exposição ao sol.

O problema é que, durante esse período, o corpo pode perder líquidos pelo suor, mesmo quando estamos dentro da água e não percebemos o quanto estamos transpirando.

Quando perdemos líquidos em excesso, o volume de sangue circulando pode diminuir. Isso dificulta a manutenção da pressão arterial, principalmente quando nos levantamos.

Se essa situação acontece ao mesmo tempo que a exposição ao calor, o risco de tontura e mal-estar pode aumentar.

Por isso, procure beber água regularmente e faça pausas para descansar em um ambiente mais fresco.

Pessoas com insuficiência cardíaca ou determinadas doenças renais podem ter restrições de líquidos. Nesses casos, siga a orientação individual recebida para sua condição de saúde.

6. Álcool e piscina quente: uma combinação perigosa

Durante as férias, algumas pessoas gostam de consumir bebidas alcoólicas enquanto aproveitam a piscina.

Entretanto, essa combinação merece atenção.

O álcool pode prejudicar o equilíbrio, a coordenação e a capacidade de perceber sinais de mal-estar. Além disso, pode contribuir para a desidratação e dificultar a avaliação dos próprios limites.

Quando associamos esses efeitos ao calor, aumentamos o risco de quedas, desmaios e acidentes na água.

Por isso, a recomendação mais segura é evitar bebidas alcoólicas antes e durante a permanência em piscinas muito quentes.

7. Posso sair da piscina quente e entrar em uma piscina fria?

Sair de uma piscina quente e entrar imediatamente em uma piscina muito fria provoca uma mudança brusca de temperatura.

O calor tende a dilatar os vasos sanguíneos, enquanto o frio provoca seu estreitamento. Essa mudança exige uma adaptação rápida do sistema cardiovascular.

Em algumas pessoas, especialmente naquelas com doenças cardíacas ou pressão arterial descontrolada, essa resposta pode representar um risco adicional.

Se você gosta de alternar entre piscinas de temperaturas diferentes, evite mudanças extremas e repentinas. Se tiver alguma doença cardiovascular, procure orientação profissional antes de fazer esse tipo de atividade.

8. Cuidados simples para aproveitar Caldas Novas com segurança

Não é necessário deixar de aproveitar as águas termais para cuidar da saúde. O segredo é conhecer os próprios limites e adotar alguns hábitos.

Antes de entrar na piscina

  • Observe a temperatura da água e respeite as orientações do estabelecimento.
  • Evite entrar se estiver passando mal, com tontura ou sensação de fraqueza.
  • Se você tem uma doença cardiovascular ou pressão descontrolada, verifique previamente se a exposição ao calor é adequada para sua condição.
  • Evite consumir bebidas alcoólicas antes de entrar.

Durante a permanência na água

  • Entre gradualmente, especialmente se a água estiver muito quente.
  • Evite permanecer por tempo excessivo.
  • Faça pausas para descansar e se hidratar.
  • Se sentir tontura, fraqueza, palpitações ou mal-estar, interrompa a atividade.

Na hora de sair da piscina

  • Evite levantar-se de maneira brusca.
  • Movimente as pernas antes de sair.
  • Utilize o corrimão, quando houver.
  • Se sentir tontura, peça ajuda e não tente caminhar sozinho.
  • Se necessário, sente-se em um local seguro e aguarde a melhora dos sintomas.

9. Quais sinais indicam que é hora de sair da água?

O organismo pode dar sinais de que está tendo dificuldade para lidar com o calor.

Fique atento a:

  • Tontura ou sensação de desmaio.
  • Visão escurecida.
  • Fraqueza intensa.
  • Náusea ou mal-estar.
  • Palpitações importantes.
  • Falta de ar.
  • Dor no peito.

Se algum desses sintomas aparecer, interrompa a exposição ao calor e procure ajuda.

Se houver desmaio, dor persistente no peito, falta de ar importante ou alteração da consciência, é necessário atendimento médico urgente.

Não tente continuar na piscina esperando que o desconforto passe.

Água quente, lazer e autonomia: cuidar de si também faz parte da viagem

As piscinas termais de Caldas Novas fazem parte de uma experiência de lazer que muitas pessoas aguardam durante o ano inteiro.

Conhecer os efeitos da água quente sobre o organismo não significa ter medo de aproveitá-las. Significa compreender que nosso corpo precisa de tempo para se adaptar às mudanças de temperatura e posição.

A água quente pode provocar relaxamento, mas também pode alterar a pressão arterial, acelerar o coração e favorecer tonturas em determinadas circunstâncias.

Por isso, pequenas atitudes — como respeitar a temperatura, beber água, evitar o álcool e levantar-se devagar — ajudam a tornar o passeio mais seguro.

Autonomia é conhecer o próprio corpo, reconhecer seus limites e tomar decisões conscientes para viver melhor.

E isso também vale para os momentos de descanso e diversão.


Referências científicas e fontes de consulta

As referências abaixo fundamentam as explicações sobre os efeitos do calor, a pressão arterial e os cuidados durante a exposição à água quente.

  1. SOTOMAIOR, B. B. et al. The effects of hot-water immersion on cardiovascular and cardiorespiratory health of healthy adults: a systematic review and meta-analysis. Physiological Reports. 2026;14(2):e70668. DOI: 10.14814/phy2.70668. Artigo completo.
  2. BRANDÃO, A. A. et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025;122(9):e20250624. Consultar a publicação.
  3. MARCHETTI et al. The effect of heat therapy on blood pressure and peripheral vascular function: a systematic review and meta-analysis. Experimental Physiology. 2021. Consultar no PubMed.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Getting Active to Control High Blood Pressure. Orientações sobre atividade física, hipertensão e exposição ao calor. Consultar a publicação.
  5. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). What You Can Do to Stay Healthy in Hot Tubs. Orientações sobre segurança em banheiras de hidromassagem. Consultar a publicação.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação individual de saúde. Em caso de dúvidas sobre a exposição ao calor, medicamentos ou doenças cardiovasculares, procure orientação de um profissional de saúde.

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